Hype — termo usado pra definir alguma coisa que recebeu não só muita publicidade, mas que não superou as expectativas do público em alguma área. Quando se faz muito hype e aquilo que foi vítima do “hype” não for bom o suficiente, sobram apenas usuários desapontados.

Mas eu não quero dizer nada sobre hype e sim sobre o Firefox. O navegador feito a partir do código do Netscape, que hoje é gerenciado pela Mozilla Corporation/Foundation e que está disponível em diversas plataformas e hoje é o principal concorrente do Internet Explorer com pouco mais de 10% do mercado.

Eu conheci o Firefox — então Firebird — quando estava estudando padrões web. Tableless. CSS. XHTML. E o Firefox era o rei, porque era o único navegador que suportava esses padrões de uma forma pelo menos aceitável. Ele ainda não é perfeito, mas desde então era muito melhor que Internet Explorer e tinha código aberto.

O que vejo recentemente, no entanto, é que se esqueceu de que o Firefox era aquele navegador complacente com os padrões. Agora tudo que é interessa é segurança. Terrorismo: instale o Firefox ou seja infectado por spywares. É a realidade hoje. Procure posts em fóruns. É isso que rola.

E agora falo de hype. “Firefox é seguro”, é o que dizem. Falando em questões práticas, você realmente estará mais seguro com o Firefox do que com o Internet Explorer. Há algum tempo atrás a Mozilla teve de lançar um fix para falhas críticas, que ela havia considerado apenas “moderadas”.

Assim que um exploit foi lançado, ela foi considerada crítica. Como assim? A existência de um exploit muda a gravidade da falha? Na prática, com certeza; mas acho que é importante dividir o “risco” apresentado pela falha e a gravidade da falha. Não é legal enganar os usuários dizendo que falha é “moderada” quando na verdade é só uma bomba que ainda não explodiu.

Mesmo com exploit lançado, não houverem tentativas de se usar a falha para instalar spyware pelo Firefox. Por quê? Você poderia dizer que é porque o Firefox tem só 10% do mercado, e provavelmente estaria certo. O que vai acontencer quando o Firefox tiver mais de 80% do mercado, então, assim como hoje o Internet Explorer tem?

Resposta: nenhum navegador, programa, qualquer, deve um dia alcançar que já tinha o Internet Explorer ou o que ele tem hoje. Mais do que padrões web ou segurança, o Firefox (e os outros navegadores) nos deram um direito de escolha que não tínhamos.

Muitos, infelizmente, estão esquecendo disso tudo. Vários sites hoje estão sendo feitos pensando-se apenas em Firefox e Internet Explorer, esquecendo dos padrões, do direito de escolha — de tudo que o Firefox veio realmente pra nos dar e é tão importante quanto a segurança adicional que você tem (gerada exatamente pela diversidade dos programas que estão sendo usados pela rede).

Por que estou dizendo isso? Porque uso Opera. E vejo muitos sites funcionando na dupla IE/FF e não no Opera. Aparentemente, o Opera não é tão importante quanto o Firefox, apesar de ter diversos dos mesmos recursos, de passar no Acid2 e ter provavelmente menos falhas de segurança que os outros dois.

Quem usa Safari e outros navegadores provavelmente pode atestar o que eu digo e provavelmente vão concordar comigo. Estamos lembrando do hype, do Firefox, que talvez nem seja hype, porque ele é bom mesmo, mas estamos esquecendo de algumas outras alternativas que, apesar de não serem muitas, estão aí e nos dão o que sempre tínhamos e que o “Fenômeno Firefox” fez questão de nos lembrar: a liberdade de escolha.

Espero, apenas, que os sites que esquecem dessa liberdade continuem sendo uma minoria.

Posted Thursday, March 23rd, 2006 at 15:53
Filed Under Category: Internet
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